Editando a sua viagem

Sabe quando você lê um livro, que depois vira um filme, que não ficou do jeito que você imaginou? Isso sempre acontece, porque na cabeça de cada um, tudo é do seu jeito, ou melhor, do jeito que você queria que fosse. E assim, se formam as expectativas.

Quando decidimos viajar, expectativas enormes começam a aparecer na nossa cabeça, mesmo antes de comprarmos a passagem. Você imagina como tudo vai ser, desde o hotel que escolheu, aos passeios que reservou. Até se vê conversando com pessoas que ainda conhece.

Com certeza, você tem a viagem perfeita na sua cabeça… o problema é que nem sempre ela acontece assim.

Em abril fomos para Nova York com as crianças pela primeira vez. E, sem brincadeira, posso relatar aqui mais de dez coisas chatas que aconteceram nessa viagem, que não tinham sequer passado pela minha cabeça quando eu me imaginava lá.

Vamos a alguns exemplos:
> O cheiro horrível de xixi nos elevadores do metrô, pois como estávamos com o carrinho, tivemos que usá-lo.
> A fumaça dos kebabs, pretzels, hot dogs… que impregnava no cabelo assim que saíamos na rua, cheirosinhos depois de um banho no hotel.
> A correria (literalmente) para chegar nos banheiros do Central Park, que ficam muito distantes para uma família com criança na fase do desfralde.
> A maratona do “tira e põe” cachecol, gorro, bota, jaqueta e luva, especialmente em dedinhos minúsculos, a cada entrada e saída de atrações, lojas, delicatessen, museus, etc.

Enfim, eu poderia continuar essa lista, mas não vou. Por que não? Acredito que não é isso que deve ser lembrado numa viagem como essa. Na verdade para cada “coisa ruim” que aconteceu, tivemos pelo menos três boas. E “coisa ruim” ficou entre aspas porque, se pensarmos criteriosamente, ruim mesmo é ficar doente, ir para o hospital, ser assaltado ou ainda perder documentos.

Assim como a nossa mente cria expectativas elevadas, ela também consegue “editar” os acontecimentos. Ou seja, lembrar somente dos acontecimentos positivos e esquecer as dificuldades.

Aí você vai dizer: “Mas você lembrou de tudo que aconteceu na sua viagem.” Sim, esses perrengues que passamos ainda estão frescos na minha memória, porque a viagem foi recente.
Mas posso garantir que, daqui a alguns anos, o que virá na minha cabeça serão somente as imagens das partes boas.

> As crianças brincando e se divertindo nos parquinhos do Central Park,
> Todos rindo da mãe se esborrachando no gelo, no Rockfeller Center (tá essa doeu, mas foi engraçado),
> A tranquilidade e o silêncio das ruas nos bairros mais afastados,
> O pôr do sol e a vista de cair o queixo no Top of the Rock,
> Descobrir, sem querer, que nossos ingressos eram vips no jogo de basquete… enfim, mais mil e uma coisas que posso ficar listando até amanhecer.

E se eu lembrar das coisas negativas, vai ser pra rir delas, enquanto conversamos com amigos num jantar.

Taí a internet com as redes sociais para refinar essa capacidade de edição, tornado a vida mais bonita. Dê uma olhadinha no seu Facebook e repare como quase ninguém posta sobre as dificuldades que acontecem no seu dia-a-dia. Muitos até dão aquela “floreada” para deixar suas aventuras mais legais. Outros usam os app de fotografia e colagem para melhorar suas fotos. Pergunta se eu tirei alguma foto no elevador do metrô?

Já ouvi muita gente criticando esse “mundo cor-de-rosa” onde tudo é lindo. Sinceramente, eu não acho que isso seja de todo ruim. Pense comigo: se você tende a lembrar mais dos acontecimentos positivos, e quer compartilhar só coisas boas, isso o transformará em alguém mais otimista, e, quem sabe até, você possa atrair mais coisas bacanas para a sua vida.

Toda viagem, assim como a vida, tem coisas boas e ruins. Cabe a você editar, ou seja, escolher e focar naquilo que quer lembrar no futuro.

Eu fui a Paris e não pude subir no topo da Torre Eiffel, porque os ventos estavam muito fortes. Quando estivemos em Londres, a London Eye estava em manutenção. E não foi por isso que fiquei de “mimimi”, me lamentando. Aliás, fiz dessas adversidades um motivo para “ter que” visitar esses lugares lindos novamente. Você tem esse poder de escolha, faça também este exercício e boa edição!

About Ases a Bordo

A paixão por viajar e as iniciais do nome são duas coisas que o casal de publicitários Ana e André têm em comum com os filhos Alex, 7 anos, e Alice, 3. Através de imagens, você "viaja" com essa família linda que compartilha suas aventuras de uma maneira divertida e inesperada. Ases a Bordo é um vlog com episódios em vídeos de 5 minutos, que vão ao ar semanalmente no Youtube. A websérie tem o objetivo de incentivar pais a curtirem mais as viagens com seus filhos.

12 thoughts on “Editando a sua viagem

  1. Acabei de chegar da primeira viagem de lazer em família, e eu voltei traumatizada. Mala extraviada (sumiu), longas esperas em aeroporto, e a pior parte para mim, foi meu filho de 4 anos ter ficado doente no destino. Estávamos em um resort 5 estrelas, e tudo que eu queria era a minha casa. Vou repensar, depois de ler seu post. Tentar superar. Já aconteceu com vocês, de uma das crianças ficar doente durante a viagem?

    1. Oi Shuellen, sim, sim, sim! Tudo isso que você contou aconteceu conosco também!
      E para te confortar, acontece com quase todas as famílias viajantes. Mas com certeza logo você só vai lembrar das coisas boas que aconteceram na viagem, e olhando bem a gente sempre acha.
      Não desita, não! Vale muito a pena viajar com as crianças, para fortalecer os laços e para mostrar um mundinho diferente do que eles estão acostumados.

      Vou deixar 3 links para vc aqui:
      1. Assista ao episódio 22 em que a Alice ficou doente em Punta Cana
      “Quando alguém não fica bem”
      2. Assista ao episódio 41 em que nossas malas desaparecem em Bahamas
      “Chegamos ao Paraíso, mas as malas não!”
      3. Post sobre o nosso pensamento sobre a importância das viagens para as crianças.
      10 Coisas que viajar pode fazer pelo futuro do filho
      Espero te ver pelos aeroportos :)
      Bjs dos 4 Ases

  2. É isso aí mesmo. Falou e disse! Pode apostar que após mais de 30 anos das viagens que fazíamos com nossas filhas (vc. uma delas) ficaram no esquecimento as coisas más e erradas e hoje só sobrevivem as alegrias. O que não deu certo. e ainda lembramos até hoje, transformou-se em “chacota divertida” , não é mesmo?

  3. É exatamente isso!! Percalços sempre acontecem, mas a balança sempre pende para o lado das coisas boas. Isso que nos faz querer viajar mais e mais. As experiências sempre são válidas.

  4. Perfeito!! adoro os textos , os depoimentos e os episódios de vocês Parabéns por mostrar a realidade de viajar com crianças, que mesmo com todas as dificuldades continuam sendo os melhores momentos da vida

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